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A Janela – Crônica

 

Eu não sou eu. Me sinto um avatar de mim mesma. Digo isso, pois ao chegar próxima de minha janela, as visões são belas, tranquilas, de carinho e conforto, mas sinto um alvoroço por dentro, uma luta e batalha contínuas que não condizem com o que vejo. Meus olhos se tornam telas vidradas, minha janela uma passagem para um novo mundo. O meu corpo? Preso aterrado dentro daquelas paredes num enorme medo em abandonar meu confortável e familiar quadrado de objetos escolhidos por mim mesma.

Busco e desejo ardentemente o invisível e desconhecido que há lá fora, mas minhas batidas de coração em palpitantes lampejos alcançam um mesmo ritmo que os dizeres: isso é passageiro e tudo se aquieta.

Quando irei encontrar a coragem de atravessar aquela tela pinturesca em eterno movimento? Quando acharei em meu âmago a serenidade em analisar e encontrar as soluções para os possíveis problemas e dificuldades que apenas imaginando me fazem parar e travar? Afinal, do que é que tenho medo?

Nesse momento, sinto a brisa fresca que em ignorância do meu ardor me abraça e sussurra: fuuuuuu.

Criatura invisível e risória dos meus defeitos. Ri de minha paralisia e me toca com seus dedos frios e levemente cortantes. Ainda hei de te seguir. Ainda hei de te passar. E ainda hei de rir de ti. Quem sabe ainda não pedirá que eu seja tua companheira e tua companhia? Não rias, tu não sabes o amanhã e nem o depois.

Mesmo que atravancada onde estou, mesmo que demore eu livrar-me de minhas peias e minhas cordas, quem sabe se o meu eu não é mais rápido ou mesmo mais livre que tua inconsistência e tua densidade duvidosas?

Ah futura companheira, minha futura travessia, minha janela, eu assim irei, mas até lá, continuo aqui em meu adorável metro quadrado, em meu carinhoso e caloroso quarto feito somente pra mim.

 

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A Janela

A Janela – Crônica

 

Eu não sou eu. Me sinto um avatar de mim mesma. Digo isso, pois ao chegar próxima de minha janela, as visões são belas, tranquilas, de carinho e conforto, mas sinto um alvoroço por dentro, uma luta e batalha contínuas que não condizem com o que vejo. Meus olhos se tornam telas vidradas, minha janela uma passagem para um novo mundo. O meu corpo? Preso aterrado dentro daquelas paredes num enorme medo em abandonar meu confortável e familiar quadrado de objetos escolhidos por mim mesma.

Busco e desejo ardentemente o invisível e desconhecido que há lá fora, mas minhas batidas de coração em palpitantes lampejos alcançam um mesmo ritmo que os dizeres: isso é passageiro e tudo se aquieta.

Quando irei encontrar a coragem de atravessar aquela tela pinturesca em eterno movimento? Quando acharei em meu âmago a serenidade em analisar e encontrar as soluções para os possíveis problemas e dificuldades que apenas imaginando me fazem parar e travar? Afinal, do que é que tenho medo?

Nesse momento, sinto a brisa fresca que em ignorância do meu ardor me abraça e sussurra: fuuuuuu.

Criatura invisível e risória dos meus defeitos. Ri de minha paralisia e me toca com seus dedos frios e levemente cortantes. Ainda hei de te seguir. Ainda hei de te passar. E ainda hei de rir de ti. Quem sabe ainda não pedirá que eu seja tua companheira e tua companhia? Não rias, tu não sabes o amanhã e nem o depois.

Mesmo que atravancada onde estou, mesmo que demore eu livrar-me de minhas peias e minhas cordas, quem sabe se o meu eu não é mais rápido ou mesmo mais livre que tua inconsistência e tua densidade duvidosas?

Ah futura companheira, minha futura travessia, minha janela, eu assim irei, mas até lá, continuo aqui em meu adorável metro quadrado, em meu carinhoso e caloroso quarto feito somente pra mim.

 

 

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Eu não sou eu. Me sinto um avatar de mim mesma. Digo isso, pois ao chegar próxima de minha janela, as visões são belas, tranquilas, de carinho e conforto, mas sinto um alvoroço por dentro, uma luta e batalha contínuas que não condizem com o que vejo. Meus olhos se tornam telas vidradas, minha janela uma passagem para um novo mundo. O meu corpo? Preso aterrado dentro daquelas paredes num enorme medo em abandonar meu confortável e familiar quadrado de objetos escolhidos por mim mesma.

Busco e desejo ardentemente o invisível e desconhecido que há lá fora, mas minhas batidas de coração em palpitantes lampejos alcançam um mesmo ritmo que os dizeres: isso é passageiro e tudo se aquieta.

Quando irei encontrar a coragem de atravessar aquela tela pinturesca em eterno movimento? Quando acharei em meu âmago a serenidade em analisar e encontrar as soluções para os possíveis problemas e dificuldades que apenas imaginando me fazem parar e travar? Afinal, do que é que tenho medo?

Nesse momento, sinto a brisa fresca que em ignorância do meu ardor me abraça e sussurra: fuuuuuu.

Criatura invisível e risória dos meus defeitos. Ri de minha paralisia e me toca com seus dedos frios e levemente cortantes. Ainda hei de te seguir. Ainda hei de te passar. E ainda hei de rir de ti. Quem sabe ainda não pedirá que eu seja tua companheira e tua companhia? Não rias, tu não sabes o amanhã e nem o depois.

Mesmo que atravancada onde estou, mesmo que demore eu livrar-me de minhas peias e minhas cordas, quem sabe se o meu eu não é mais rápido ou mesmo mais livre que tua inconsistência e tua densidade duvidosas?

Ah futura companheira, minha futura travessia, minha janela, eu assim irei, mas até lá, continuo aqui em meu adorável metro quadrado, em meu carinhoso e caloroso quarto feito somente pra mim.